"Muitos
acometem os adversários que ainda se entrosam no corpo terrestre,
empolgando-lhes a imaginação com formas mentais
monstruosas,
operando perturbações que podemos classificar como "infecções
fluídicas"
e que determinam o colapso cerebral com arrasadora loucura."
PARASITISMO
NOS REINOS INFERIORES - Comentando as ocorrências da obsessão e do
vampirismo no veículo fisiopsicossomático, é importante lembrar os
fenômenos do parasitismo nos reinos inferiores da Natureza.
Sem nos reportarmos às simbioses fisiológicas, em que microorganismos
se albergam no trato intestinal dos seus hospedadores,
apropriando-se-lhes dos sucos nutritivos, mas gerando substâncias
úteis à existência dos anfitriões, encontraremos a associação
parasitária, no domínio dos animais, à maneira de uma sociedade, na
qual um das partes, quase sempre após insinuar-se com astúcia, criou
para si mesma vantagens especiais, com manifesto prejuízo para a outra,
que passa, em seguida, à condição de vítima.
Em semelhante desequilíbrio, as vítimas se acomodam, por tempo
indeterminado, à pressão externa dos verdugos; contudo, em outras
eventualidades, sofrem-lhe a intromissão direta na intimidade dos
próprios tecidos, em ocupação impertinente que, às vezes, se
degenera em conflito destruidor e, na maioria dos casos, se transforma
num acordo de tolerância, por necessidade de adaptação, perdurando
até a morte dos hospedeiros espoliados, chegando mesmo a originar os
remanescentes das agregações imensamente demoradas no tempo,
interferindo nos princípios da hereditariedade, como raízes do
conquistador, a se entranharem nas células que lhes padecem a invasão
nos componentes protoplasmáticos, para além da geração em que o
consórcio parasitário começa.
Em razão disso, apreciando a situação dos parasitas, perante os
hospedeiros, temo-los por ectoparasitas, quando limitam a própria
ação às zonas de superfície, e endoparasitas, quando se alojam nas
reentr6ancias do corpo a que se impõem.
Não será lícito esquecer, porém, que toda simbiose exploradora de
longo curso, principalmente a que se verifica no campo interno, resulta
de adaptação progressiva entre o hospedador e o parasita, os quais,
não obstante reagindo um sobre o outro, lentamente concordam na
sociedade em que persistem, sem que o hospedador considere os riscos e
perdas a que se expõe, comprometendo não apenas a própria vida, mas a
existência da própria espécie.
OBSESSÃO
E VAMPIRISMO - Em
processos diferentes, mas atendendo aos mesmos princípios de simbiose
prejudicial (Vide "Parasitismo nos Reinos Inferiores", mesmo
cap.), encontramos os circuitos de obsessão e de vampirismo entre
encarnados e desencarnados, desde as eras recuadas em que o espírito
humano, iluminado pela razão, foi chamado pelos princípios da Lei
Divina e renunciar ao egoísmo e à crueldade, à ignorância e ao
crime.
Rebelando-se, no entanto, em grande maioria, contra as sagradas
convocações, e livres para escolher o próprio caminho, as criaturas
humanas desencarnadas, em grande número, começaram a oprimir os
companheiros da retaguarda, disputando afeições e riquezas que
ficavam na carne, ou tentando empreitadas de vingança e
delinqüência, quando sofriam o processo liberatório da
desencarnação em circunstâncias delituosas.
As vítimas de homicídio e violência, brutalidade manifesta ou
perseguição disfarçada, fora do vaso físico, entram na faixa
mental dos ofensores, e conhecendo-lhe a enormidade das faltas
ocultas, e, ao invés do perdão, com que se exonerariam da cadeia de
trevas, empenham-se em vinditas atrozes, retribuindo golpe a golpe e
mal por mal.
INFECÇÕES
FLUÍDICAS - Muitos acometem os adversários que ainda se
entrosam no corpo terrestre, empolgando-lhes a imaginação com formas
mentais monstruosas, operando perturbações que podemos classificar
como "infecções fluídicas" e que determinam o colapso
cerebral com arrasadora loucura.
E ainda muitos outros, imobilizados nas paixões egoísticas desse ou
daquele teor, descansam em pesado monoideísmo, ao pé dos encarnados,
de cuja presença não se sentem capazes de afastar-se.
Alguns, como os ectoparasitas temporários, procedem à semelhança
dos mosquitos e dos ácaros, absorvendo as emanações vitais dos
encarnados que com eles se harmonizam, aqui e ali; mas outros muitos,
quais endoparasitas conscientes, após se inteirarem dos pontos
vulneráveis de suas vítimas, segregam sobre elas determinados
produtos, filiados ao quimismo do Espírito, e que podemos nomear como
simpatinas ou aglutininas mentais, produtos esses que,
sub-repticiamente, lhes modificam a essência dos próprios
pensamentos a verterem, contínuos, dos fulcros energéticos do
tálamo, no diencéfalo.
Estabelecida essa operação de ajuste, que os desencarnados e
encarnados, comprometidos em aviltamento mútuo, realizam em franco
automatismo, à maneira dos animais em absoluto primitivismo nas
linhas da Natureza, os verdugos comumente senhoreiam os neurônios do
hipotálamo, acentuando a própria dominação sobre o feixe
amielínico que liga o córtex frontal, controlando as estações
sensíveis do centro coronário que aí se fixam para o governo das
excitações, e produzem nas suas vítimas, quando contrariados em
seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante
influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático. Tais
manobras, em processos intrincados de vampirismo, prestigiam o regime
de medo ou de guerra nervosa nas criaturas de que se vingam,
alterando-lhes a tela psíquica ou impondo prejuízos constantes aos
tecidos somáticos.
PARASITAS
OVÓIDES - Inúmeros infelizes, obstinados na idéia de fazerem
justiça pelas próprias mãos ou confiados a vicioso apego, quando
desafivelados do carro físico, envolvem sutilmente aqueles que se lhe
fazem objeto de calculada atenção e, auto-hipnotizados por imagens
de afetividade ou desforço, infinitamente repetidas por eles
próprios, acabam em deplorável fixação monoideísta, fora das
noções de espaço e tempo, acusando, passo a passo, enormes
transformações na morfologia do veículo espiritual, porquanto, de
órgãos psicossomáticos retraídos, por falta de função,
assemelham-se a ovóides, vinculados às próprias vítimas
que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, à
face dos pensamentos de remorso ou arrependimento tardio, ódio voraz
ou egoísmo exigente que alimentam no próprio cérebro,
através de ondas mentais incessantes.
Nessas condições, o obsessor ou parasita espiritual pode ser
comparado, de certo modo, à Sacculina carcini, que, provida de
órgãos perfeitamente diferenciados na fase de vida livre, enraiza-se,
depois, nos tecidos do crustáceo hospedador, perdendo as
caracterísitcas morfológicas primitivas, para converter-se em massa
celular parasitária.
No tocante à criatura humana, o obsessor passa a viver no clima
pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as
forças psíquicas, situação essa que, em muitos casos, se prolonga
para além da morte física do hospedeiro, conforme a natureza e a
extensão dos compromissos morais entre credor e devedor.