"A
mediunidade é faculdade inerente à própria vida e, com todas as suas
deficiências e grandezas, acertos e desacertos, é qual o dom da visão comum, peculiar a todas as criaturas, responsável
por tantas glórias
e tantos infortúnios na Terra." - André Luiz
Eminentes fisiologistas e pesquisadores de laboratório procuraram fixar mediunidade e médiuns a nomenclaturas e conceitos da ciência metapsíquica; entretanto, o problema, como todos os problemas humanos, é mais profundo, porque a mediunidade jaz adstrita à própria vida, não existindo, por isso, dois médiuns iguais, não obstante a semelhança no campo das impressões.
Por outro lado, espiritualistas distintos julgam-se no direito de hostilizar-lhe o serviço e impedir-lhe a eclosão, encarecendo-lhe os supostos perigos, como se eles próprios, mentalizando os argumentos que avocam, não estivessem assimilando, por via mediúnica, as correntes mentais intuitivas, contendo interpretações particulares das Inteligências desencarnadas que os assistem.
A mediunidade, no entanto, é faculdade inerente à própria vida e, com todas as suas deficiências e grandezas, acertos e desacertos, é qual o dom visão comum, peculiar a todas as criaturas, responsável por tantas glórias e tantos infortúnios na Terra.
Ninguém se lembrará, contudo, de suprimir os olhos, porque milhões de pessoas, em face de circunstâncias imponderáveis da evolução, deles se tenham valido para perseguir e matar nas guerras de terror e destruição.
Urge iluminá-los, orientá-los e esclarecê-los.
Também a mediunidade não requisitará desenvolvimento indiscriminado, mas sim, antes de tudo, aprimoramento da personalidade mediúnica e nobreza de fins, para que o corpo espiritual, modelando o corpo físico e sustentando-o, possa igualmente erigir-se em filtro leal das Esferas Superiores, facilitando a ascensão da Humanidade aos domínios da
luz.
(Evolução em Dois Mundos, Cap. XVII,
André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira,
FEB)
FENÔMENO
MAGNÉTICO DA VIDA HUMANA - Analisando a ocorrência mediúnica, na base
do reflexo condicionado, assinalaremos mais alguns aspectos de
semelhante estudo, na esfera do cotidiano.
Assistindo ao fenômeno hipnótico indiscriminado, nas demonstrações
públicas, presenciamos alguém senhoreando o psiquismo de diversas
pessoas, por alguns minutos; mas, na experiência diária, vemos o mesmo
fenômeno em nossas relações, uns com os outros.
Na exibição popular, o magnetizador pratica a hipnose que se
hierarquiza por muitos graus de passividade nos hipnotizados.
Na vida comum, todos praticamos espontaneamente a sugestão, em que a
obediência maquinal se gradua, em cada um de nós, através de vários
graus de rendição à influência alheia.
Tal situação começa no berço.
CENTRO
INDUTOR DO LAR - O lar é o mais vigoroso centro de indução que
conhecemos na Terra.
À maneira de alguém que recebe esse ou aquele tipo de educação em
estado de sonolência, e Espírito reencarnado, no período infantil,
recolhe dos pais os mapas de inclinação e conduta que lhe nortearão a
existência, em processo análogo ao da escola primária, pelo qual a
criança é impelida a contemplar ou mentalizar certos quadros, para
refleti-los no desenvolvimento natural da instrução.
As almas valorosas, dotadas de mais alto padrão moral, segundo as
aquisições já feitas em numerosas reencarnações de trabalho e
sacrifício, constituem exceções no ambiente doméstico, por se
sobreporem a ele, exteriorizando a vontade mais enérgica de que se
fazem mensageiras.
Contudo, via de regra, a maioria esmagadora de Inteligências
encarnadas retratam psicologicamente aqueles que lhes deram o veículo
físico, transformando-se, por algum tempo, em instrumentos ou médiuns
dos genitores, à face do ajustamento das ondas mentais que lhes são
próprias, em circuitos conjugados, pelos quais permutam entre si os
agentes mentais de que se nutrem.
OUTROS
CENTROS INDUTORES - Em todos os planos determina a Providência do
Criador seja a criatura amparada com segurança.
Cada consciência que renasce no campo físico traz consigo as
ligações do agrupamento espiritual a que se filia, demonstrando as
afinidades profundas de que a onda mental dá notícia no fluxo
revelador com que se apresenta.
Se os pais guardam sintonia com as forças a que se lhes jungem
fluidicamente os filhos, a vida prossegue harmoniosa, como que sobre
rodas nas quais as crenas se mostram perfeitamente engrenadas.
Entretanto, se há divergência, passada a primeira infância, começam
atritos e desencontros, à face das interferências inevitáveis, com
perturbações dos circuitos em andamento.
Enredados à influência de companheiros que permanecem fora do vaso
fisiológico, os filhos, nessas circunstâncias, evidenciam tendências
inquietantes, sem que os genitores consigam reivindicar a autoridade de
que se revestem.
Todavia, a escola edificante espera-os, nas linhas da civilização,
para restaurar-lhes, desde cedo, as noções de ordem superior, diante
da vida, exalçando os conceitos de elevação moral, imprescindíveis
ao aprimoramento da alma.
Transfiguram-se, então, os mestres comuns em orientadores dos
aprendizes que, se atentos ao ensino, se fazem médiuns temporários das
mentes que os instruem, através do mesmo fenômeno de harmonização
das ondas mentais, porquanto o professor, ensinando, torna mais lentas
as oscilações que despede, enquanto que os alunos, aprendendo, fazem
mais curtas as oscilações que lhes são peculiares, verificando-se o
necessário ajuste de nível para que a permuta dos agentes espirituais
se faça com segurança.
Os discípulos que fogem deliberadamente ao dever da atenção,
relaxando os compromissos que abraçam, permanecem ausentes do
benefício, ligados a circuitos outros que lhes retardam a marcha na
direção da cultura, por desertarem dos exercícios que lhes
favoreceriam mais dilatada iluminação íntima.
E, além da escola, surgem, para os rebentos do lar terrestre, as
obrigações do trabalho profissional em que a personalidade segue no
encalço da vocação ou soma de experiência que já conquistou na
vida.
Cada oficina de ação construtiva, seja qual for a linha de serviço em
que se expresse, é novo educandário para a criatura em lide no campo
humano, em que a chefia, a escalonar-se através de condutores diversos,
convoca os cooperadores, nos vários círculos da subalternidade, ao
esforço de melhoria e sublimação.
Ainda aqui, vemos, por intermédio da mesma ocorrência de
harmonização mental, os que orientam, erguidos à condição de
Espíritos protetores, e os que obedecem, transformados em instrumentos
para determinadas realizações.
TODOS
SOMOS MÉDIUNS - Nos centros de atividade referidos em nosso estudo,
encontramos o reflexo condicionado e a sugestão como ingredientes
indispensáveis na obra de educação e aprimoramento.
Urge reconhecer que a liberdade é tanto maior para a alma quanto maior
a parcela de conhecimento que se lhe debite no livro da existência.
Por isso mesmo, quanto mais cresça em possibilidades, nesse ou naquele
sentido, mais se lhe desdobram caminhos à visão, constrangendo-a a
vigiar a própria escolha.
Mais extensa mordomia, responsabilidade mais extensa.
Isso acontece porque, com a intensificação de nossa influência, nesse
ou naquele campo de interesses, mais persistentes se fazem os apelos em
torno, para que não nos esqueçamos do dever primordial a cumprir.
Quem avança está invariavelmente entre a vanguarda e a retaguarda.
E a romagem para Deus é uma viagem de ascensão.
Toda subida, quanto qualquer burilamento, pede suor e disciplina.
Todo estacionamento é repouso enquistante.
Somos todos, assim, médiuns, a cada passo refletores das forças que
assimilamos, por força de nossa vontade, na focalização da energia
mental.
PERSEVERANÇA
NO BEM - É imprescindível recordar o impositivo da perseverança no
bem.
O comprazimento nessa ou naquela espécie de atitude ou companhia,
leitura ou conversação menos edificantes, estabelece em nós o reflexo
condicionado pelo qual inconscientemente nos voltamos para as correntes
invisíveis que representam.
É desse modo que formamos hábitos indesejáveis pelos quais nos
fazemos pasto de entidades vampirizantes, acabando na feição de
arcabouços vivos para moléstias fantasmas.
Pensando ou conversando constantemente sobre agentes enfermiços,
quais sejam a acusação indébita e a crítica destrutiva, o deboche e
a crueldade, incorporamos, de imediato, a influência das criaturas
encarnadas e desencarnadas que os alimentam, porque o ato de voltar a
semelhantes temas, contrários aos princípios que ajudam a vida e a
regeneram, se transforma em reflexo condicionado de caráter doentio,
automatizando-nos a capacidade de transmitir tais agentes mórbidos,
responsáveis por largo acervo de enfermidade e desequilíbrio.
GRADAÇÃO
DAS OBSESSÕES - Muitas vezes, em nossos estados de tensão deliberada,
inclinamo-nos para forças violentas que se nos insinuam no halo
psíquico, aí criando fermentações infelizes que resultam em atitudes
de cólera arrasadora, pelas quais, desprevenidamente, nos
transformamos, na vida, em médiuns de ação delituosa,
arrastados nos fenômenos de associação dos agentes
mento-eletromagnéticos da mesma natureza, semelhantes aos que
caracterizam as explosões de recursos químicos, nas conhecidas
reações em cadeia.
É assim que somos, por vezes, loucos temporários, grandes obsidiados
de alguns minutos, alienados mentais em marcadas circunstâncias de
lugar ou de tempo, ou, ainda, doentes do raciocínio em crises
periódicas, médiuns lastimáveis da desarmonia, pela nossa
permanência longa em reflexos condicionados viciosos, adquirindo
compromissos de grave teor nos atos menos felizes que praticamos,
semi-inconscientemente, sugestionados uns pelos outros, porquanto,
perante a Lei, a nossa vontade é responsável em todos os nossos
problemas de sintonia.

(Mecanismos
da Mediunidade, XVI, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB)
Mais
sobre MEDIUNIDADE em: http://www.geocities.com/ideal_andreluiz/os_mensageiros.html
Imagem
original:
Jonathon Earl Bowser
http://www.JonathonArt.com
Design:
Lótus, letreiro e background:
Lori Marli dos Santos
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