ALMA
E CORPO - Aclarando os problemas complexos da
alienação mental na maioria dos espíritos
desencarnados, pelo menos durante algum tempo,
além da morte, vale comentar, ainda que
superficialmente, alguns dos experimentos
efetuados pela ciência terrestre nos mecanismos
nervosos, para que possamos ajuizar da
importância da harmonia entre a mente e seu
veículo fisiopsicossomático, no plano físico
ou extrafísico.
Assemelhando-se no conjunto ao musicista e seu
instrumento, alma e corpo hão-de conjugar-se
profundamente um com o outro para a execução do trabalho que a vida lhe reserva.
E, sabendo-se que a alma é direção e o corpo
obediência, é da Lei Divina que o homem receba
em si mesmo o fruto da plantação que realizou,
visto que, nos órgãos de sua manifestação,
recolhe as maiores concessões do Criador para
que efetive o seu aperfeiçoamento na Criação.
Assim sendo, de seu próprio comportamento
retira, nos vastos setores em que se lhe processa
a evolução, o bem ou o mal que, lançado ao
caminho, estará impondo a si mesmo.
SECÇÃO DA
MEDULA - Através de experimentação positiva,
conhece a Ciência de hoje a inalienável
correlação entre o cérebro e todas as
províncias celulares do mundo corpóreo.
Tomando, pois, em nossas anotações, o sistema
cerebral por gabinete administrativo da mente,
reconheceremos sempre que a conduta do corpo
físico está invariavelmente condicionada à
conduta do corpo espiritual, como a orientação
do corpo espiritual está submetida ao governo de
nossa vontade.
Sabemos, assim, que depois de seccionada a medula
de um paciente se observa, de imediato, a
insensibilidade completa, o relaxamento muscular,
a paralisia e a eliminação dos reflexos
somáticos e viscerais, em todas as partes que
recebem os nervos nascidos abaixo do ponto em que
se verifica o prejuízo.
A insensibilidade e a paralisia são decisivas,
porquanto procedem da secção dos feixes
ascendentes e do feixe piramidal, ou seja, do
desligamento das regiões do corpo espiritual
correspondentes aos tecidos orgânicos e no
cérebro, qual se desse a retirada da força
elétrica de determinado setor num campo extenso
de ação.
Semelhante desligamento, porém, não se verifica
de todo, o que acarretaria, quando em níveis
altos, , irreversivelmente, o processo
liberatório da alma com a desencarnação.
Junções fluídicas sutis permanecem, ativas,
entre as células dos implementos físicos e
espirituais, como recursos fisiopsicossomático,
em ajustes possíveis de emergência. Em razão
disso, não obstante a insensibilidade a que nos
reportamos, comparável ao "silêncio
orgânico", deixado pela execução de uma
neurotomia, muitos pacientes se queixam de dor em
zonas localizadas para baixo do nível em que se
expressou o corte, fenômeno esse perfeitamente
atribuível ao contato das células do corpo
espiritual com as fibras aferentes que vibram na
cadeia simpática, penetrando a medula, acima do
ponto molestado.
RECUPERAÇÃO
DOS REFLEXOS - Devido, ainda, a esse reajustamento organizado
instintivamente entre a alma e o corpo, os reflexos são
gradativamente recuperados.
Em condições muito especiais de equilíbrio
fisiopsicossomático do enfermo, os reflexos superficiais
ressurgem quase sempre em vinte e quatro horas, depois do
insulto sofrido, embora os reflexos anal e cremasteriano
jamais se percam, insulto esse em que o sinal de Babinski ou
extensão dos pedartículos, principalmente do primeiro,
não raro acompanhada por determinado grau de contração dos
músculos dos joelhos, denuncia a violação do feixe
piramidal, equivalente à rutura de ligação das células
do corpo espiritual nos implementos nervosos da veste
física, assemelhando-se ao curto-circuito da energia
elétrica nos condutores ininterruptos que lhe atendem à
necessária circulação.
Na generalidade dos casos, porém, os reflexos em
pacientes dessa espécie apenas reaparecem com mais vagar, no
curso de semanas, tempo indispensável para que as
células do corpo espiritual, vencendo as resistências do
corpo físico, a ele se reimponham, quanto possível.
MECANISMO
DO MONOIDEÍSMO - Em vista disso, se a criatura
encarnada pode cair em amnésia ou afasia pela oclusão dos
núcleos da memória ou da fala, se desequilíbrio
integral da inteligência, a criatura desencarnada pode
arrojar-se a frustrações semelhantes, sem perturbação
total do pensamento, enquanto se lhe mantenha a distonia.
Segundo critério idêntico, se a habilidade de um homem
para manobrar determinado idioma pode cessar numa das
subdivisões do núcleo da fala, no córtex, persistindo a
habilidade para lidar com idiomas outros, assim também o
núcleo da visão profunda, no centro coronário,
pode sofrer disfunção específica pela qual um espírito
desencarnado contemplará tão somente, por tempo equivalente
à perturbação em se encontre, os quadros terríveis que
lhe digam respeito 1as culpas contraídas, sem capacidade para
observar paisagens de outra espécie; escutará exclusivamente
vozes acusadoras que lhe testemunhem os compromissos
inconfessáveis, sem possibilidade de ouvir quaisquer outros
valores sônicos, tanto quanto poderá recordar apenas
acontecimentos que se lhe refiram aos padecimentos morais,
com absoluto olvido dos fatos outros, até mesmo daqueles
que se relacionem com a sua personalidade, motivo pelo qual se
fazem tão raros os processos de perfeita identificação
individual, na generalidade das comunicações mediúnicas,
com entidades dementadas ou sofredoras, comumente
estacionárias no monoideísmo que as isola em tipos
exclusivos de recordação ou emoção, de vez que, nessas
condições, o pensamento contínuo que lhes flui da mente, em
circuito viciado sobre si mesmo, age coagulando ou
materializando pesadelos fantásticos, em conexão com as
lembranças que albergam.
E esses pesadelos não são realmente meras criações
abstratas, porquanto, em fluxo constante, as imagens
repetidas, formadas pelas partículas vivas de matéria
mental, se articulam em quadros que obedecem também à
vitalidade mais ou menos longa do pensamento,
justapondo-se às criaturas desencarnadas que lhe dão forma
e que, congregando criações do mesmo teor, de outros
Espíritos afins, estabelecem, por associações espontâneas,
os painéis apavorantes em que a consciência culpada
expia, por tempo junto, as conseqüências dos crimes a
que se empenhou, prejudicando a harmonia das Leis Divinas e
conturbando, concomitantemente, a si mesma.
ZONAS
PURGATORIAIS - Obliterando os núcleos energéticos da
alma, capazes de conduzi-la às sensações de euforia e
elevação, entendimento e beleza, precipita-se a mente,
pelo excesso da taxa de remorso nos fulcros da memória, na
dor do arrependimento a que se encarcera por automatismo,
conforme os princípios de responsabilidade a se lhe
delinearem no ser, plasmando com os seus próprios pensamentos
as telas temporárias, mas por vezes de longuíssima duração,
em que contempla, incessantemente, por reflexão mecânica,
o fruto amargo de suas próprias obras, até que esgote os
resíduos das culpas esposadas ou receba caridosa
intervenção dos agentes do amor divino que, habitualmente,
lhe oferecem o preparo adequado para a reencarnação
necessária, pela qual retornará ao aprendizado prático das
lições em que faliu.
É dessa forma que os suicidas, com agravantes à frente
do Plano Espiritual, como também os delinqüentes de variada
categoria, padecem por largo tempo a influência constante das
aflitivas criações mentais deles mesmos, a elas
aprisionados, pela fixação monoidéica de certos núcleos
do corpo espiritual, em detrimento de outros que se
mantêm malbaratados e oclusos.
E porque o pensamento é força criativa e aglutinante na
criatura consciente em plena Criação, as imagens
plasmadas pelo mal, à custa da energia inestancável que lhe
constitui atributo inalienável e imanente, servem para
a formação das paisagens regenerativas em que a alma
alucinada pelos próprios remorsos é detida em sua
marcha, ilhando-se nas conseqüências dos próprios
delitos, em lugares que, retendo a associação de
centenas e milhares de transviados, se transformam em
verdadeiros continentes de angústias, filtros de
aflição e de dor, em que a loucura ou a crueldade,
juguladas pelo sofrimento que geram para si mesmas, se
rendem lentamente ao raciocínio equilibrado, para a
readmissão indispensável ao trabalho remissor.