"Através
do nascimento e morte da forma, o princípio inteligente sofre
constantes modificações nos dois planos em que se manifesta, razão
pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos
naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária
fora do campo carnal propriamente dito." - André Luiz
PRIMÓRDIOS
DA VIDA - Procurando fixar idéias seguras acerca do corpo espiritual,
será preciso remontarmos, de algum modo, aos primórdios da vida na
Terra, quando mal cessavam as convulsões telúricas, pelas quais os
Ministros Angélicos da Sabedoria Divina, com a supervisão do Cristo de
Deus, lançaram os fundamentos da vida no corpo ciclópico do Planeta.
A matéria elementar, de que o elétron é um dos corpúsculos-base*, na
faixa de experiência evolutiva sob nossa análise, acumulada sobre si
mesma, ao sopro criador da Eterna Inteligência, dera nascimento à
província terrestre, no Estado Solar a que pertencemos, cujos
fenômenos de formação original não conseguimos por agora abordar em
sua mais íntima estrutura.
A imensa fornalha atômica estava habilitada a receber as sementes da
vida e, sob o impulso dos Gênios Construtores, que operavam no orbe
nascituro, vemos o seio da Terra recoberto de mares mornos, invadido por
gigantesca massa viscosa a espraiar-se no colo da paisagem primitiva.
Dessa geléia cósmica, verte o princípio inteligente, em suas
primeiras manifestações...
Trabalhadas, no transcurso de milênios, pelos operários espirituais
que lhes magnetizam os valores, permutando-os entre si, sob a ação do
calor interno e do frio exterior, as mônadas celestes exprimem-se no
mundo através da rede filamentosa do protoplasma de que se derivaria a
exist6encia organizada no Globo constituído.
Séculos de atividade silenciosa perpassam, sucessivos...
NASCIMENTO
DO REINO VEGETAL - Aparecem os vírus e, com eles, surge o campo
primacial da existência, formado por nucleoproteínas e globulinas,
oferecendo clima adequado aos princípios inteligentes ou mônadas
fundamentais, que se destacam da substância viva, por centros
microscópicos de força positiva, estimulando a divisão cariocinética.
Evidenciam-se, desde então, as bactérias rudimentares, cujas espécies
se perderam nos alicerces profundos da evolução, lavrando os minerais
na construção do solo, dividindo-se por raças e grupos numerosos,
plasmando pela reprodução assexuada, as células primevas, que se
responsabilizariam pelas eclosões do reino vegetal em seu início.
Milênios e milênios chegam e passam...
FORMAÇÃO
DAS ALGAS - Sustentado pelos recursos da vida que na bactéria e na
célula se constituem do líquido protoplásmico, o princípio
inteligente nutre-se agora na clorofila, que revela um átomo de
magnésio em cada molécula, precedendo as constituição do sangue de
que se alimentará no reino animal.
O tempo age sem pressa, em vagarosa movimentação no berço da
Humanidade, e aparecem as algas nadadoras, quase invisíveis, com as
suas caudas flexuosas, circulando no corpo das águas, vestidas em
membranas celulósicas, e mantendo-se à custa de resíduos minerais,
dotados de extrema motilidade e sensibilidade, como formas monocelulares
em que a mônada já evoluída se ergue a estágio superior.
Todavia, são plantas ainda e que até hoje persistem na Terra, como
filtros de evolução primária dos princípios inteligentes em
constante expansão, mas plantas superevolvidas nos domínios da
sensação e do instinto embrionário, guardando o magnésio da
clorofila como atestado da espécie.
Sucedendo-as, por ordem, emergem as algas verdes de feição
pluricelular, com novo núcleo a salientar-se, inaugurando a
reprodução sexuada e estabelecendo vigorosos embates nos quais a morte
comparece, na esfera da luta, provocando metamorfoses contínuas, que
perdurarão, no decurso das eras, em dinamismo profundo, mantendo a
edificação das formas do porvir.
DOS
ANTRÓPODOS AOS DROMATÉRIOS E ANFITÉRIOS - Mais tarde, assinalamos o
ingresso da mônada, a que nos referimos, nos domínios dos artrópodos,
de axosqueleto quitinoso, cujo sangue diferenciado acusa um átomo de
cobre em sua estrutura molecular, para, em seguida, surpreendê-la,
guindada à condição de crisálida da consciência, no reino dos
animais superiores, em cujo sangue - condensação das forças que
alimentam o veículo da inteligência no império da alma - detêm a
hemoglobina por pigmento básico, demonstrando o parentesco inalienável
das individuações do espírito, nas mutações da forma que atende ao
progresso incessante da Criação Divina.
Das cristalizações atômicas e dos minerais, dos vírus e do
protoplasma. das bactérias e das amebas, das algas e dos vegetais do
período pré-câmbrico aos fetos e às licopodiáceas, aos trilobites e
cistídeos, aos cefalópodes, foraminíferos e radiolários dos terrenos
silurianos, o princípio espiritual atingiu os espongiários e
celenterados da era paleozóica, esboçando a estrutura esquelética.
Avançando pelos equinodermos e crustáceos, entre os quais ensaiou,
durante milênios, os sistema vascular e o sistema nervoso, caminhou na
direção dos ganóides e teleósteos, arquegossauros e labirintodontes
para culminar nos grandes lacertinos e nas aves estranhas, descendentes
dos pterossáurios, no jurássico superior, chegando à época supracretácea
para entrar na classe dos primeiros mamíferos,
procedentes dos répteis teromorfos.
Viajando sempre, adquire entre os dromatérios e anfitérios os
rudimentos das reações psicológicas superiores, incorporando as
conquistas do instinto e da inteligência.
FAIXAS
INAUGURAIS DA RAZÃO - Estagiando nos marsupiais e cetáceos do eoceno
médio, nos rinocerotídeos, cervídeos, antilopídeos, equídeos,
canídeos, proboscídeos e antropóides inferiores do mioceno e
exteriorizando-se nos mamíferos mais nobres do plioceno, incorpora
aquisições de importância entre os megatérios e mamutes, precursores
da fauna atual da Terra, e, alcançando os pitecantropóides da era
quaternária, que antecederam as embrionárias civilizações
paleolíticas, a mônada vertida do Plano espiritual sobre o Plano
Físico* atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção,
assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da
memória, do instinto, sa sensibilidade, da percepção e da
preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência
mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da
razão.
ELOS
DESCONHECIDOS DA EVOLUÇÃO - Compreende-se, porém, que o princípio
divino aportou na Terra, emanando da Esfera Espiritual, trazendo em seu
mecanismo o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho
encerrando em si a árvore veneranda que será de futuro, não podemos
circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente
considerado, porquanto através do nascimento e morte da forma, sofre
constantes modificações nos dois planos em que se manifesta, razão
pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos
naturalistas, por representarem estágios da consciência fragmentária
fora do campo carnal propriamente dito, nas regiões extrafísicas, em
que essa mesma inconsciência incompleta prossegue elaborando o seu
veículo sutil, então classificado como protoforma humana,
correspondente ao grau evolutivo em que se encontra.
EVOLUÇÃO
NO TEMPO - É assim que dos organismos monocelulares aos organismos
complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a
seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi
traçada do Plano Superior, tecendo com os fios da experiência a túnica
da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo,
dentro das leis de ação, reação e renovação em que mecaniza as próprias
aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica,
construindo o centro coronário, no próprio cérebro, através da
reflexão automática de sensações e impressões, em milhões e milhões
de anos, pelo qual, com o Auxílio das Potências Sublimes, que lhe
orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo,
fixando-os na tessitura da própria alma.
Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem,
dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus
impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos
primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do
silex denuncia algum primor de técnica, nada menos que um bilhão e
meio de anos. Isso é perfeitamente verificável na desintegração
natural de certos elementos radioativos na massa geológica do Globo. E
entendendo-se que a Civilização aludida floresceu há mais ou menos
duzentos mil anos, preparando o homem, com a bênção do Cristo, para a
responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos
conhecimentos psicológicos, destinados a automatizar na constituição
fisiopsicossomática do espírito humano as aquisições morais que lhe
habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão
à Consciência Cósmica.
* (Na
Esfera Espiritual, em que estagiamos, o elétron é também partícula
atômica dissociável. - Nota de André Luiz)
* As
expressões "Plano Físico" e "Plano Extrafísico",
largamente usadas nestas páginas, foram utilizadas por nós, à falta
de termos mais preciosos que designem as esferas de evolução para os
Espíritos encarnados e desencarnados, pertencentes ao
"habitat" planetário. - Nota de André Luiz.
