MECANISMO
DA PALAVRA - Com o extremo carinho de vagarosa confecção, os
Técnicos da Espiritualidade Superior compõem a cartilagem situada em
plano inferior, a cricóide, que representa um anel modificado da
traquéia, sustentando uma placa na parte superior, sobre a qual, no
bordo superior e de ambos os lados da linha média, se apóiam as duas
aritenóides, que se permitem, assim, a conjunção ou o afastamento
entre si. Cada uma possui na base uma apófise: a interna, vocal, em
que está inserida a parte posterior da corda vocal verdadeira do
mesmo lado, e a outra, que é externa, muscular. Com a mesma
habilidade, os Técnicos tecem a cartilagem localizada na região anterior ou
cartilagem tireóide, a destacar-se sob a pele no chamado Pomo de
Adão, em suas lâminas verticais que se conjugam na linha mediana,
traçando um ângulo diedro que se volta para a retaguarda e onde se
fixam as cordas vocais verdadeiras, cartilagem essa que, por baixo, se
une com o anel da cricóide e, por cima, com o osso hióide, através
de membranas e ligamento, o qual fornece apoio para a implantação do
laringe.
Acima das cordas vocais verdadeiras, surgem as cordas vocais falsas a
limitarem com a parede os ventrículos laterais de Morgagni.
Todos os músculos que garantem o movimento das cordas são pares,
exceto o ari-aritenóideo, assegurando as funções da glote vocal e
formando, avançado primor de previsão e eficiência, a abóbada de
precioso condicionamento, onde a pressão do ar pode fazer-se com
segurança, para separar as cordas vocais em serviço.
LINGUAGEM
CONVENCIONAL - Aprende então o homem, com o amparo dos Sábios
Tutores que o inspiram, a constituição mecânica das palavras, provindo
da mente a força com que aciona os implementos da voz, gerando
vibrações nos músculos torácicos, incluindo os pulmões e a
traquéia como num fole, e fazendo ressoar o som no laringe e na boca,
que exprimem também cavidades supragóticas, para a criação, enfim,
da linguagem convencional, com que reforça a linguagem mímica e
primitiva, por ele adquirida na longa viagem através do reino animal
A esse modo natural de exprimir-se por gestos e atitudes silenciosas,
em que derrama as suas forças acumuladas de afetividade e
satisfação, desagrado ou rancor, em descargas
fluídico-eletromagnéticas de natureza construtiva ou destrutiva,
superpõe a criatura humana os valores do verbo articulado, com que
acrisola as manifestações mais íntimas, habilitando-se a recolher,
por intermédio de sinalética especial na escala dos sons, a
experiência dos irmãos que caminham na vanguarda e aprendendo a
educar-se para merecer esse tipo de assistência que lhe outorgará o
estado de alegria maior, ante as perspectivas da cultura com que a
vida lhe responde às indagações.
PENSAMENTO
CONTÍNUO - Com o exercício incessante e fácil da palavra, a energia
mental do homem primitivo encontra insopitável desenvolvimento, por
adquirir gradativamente a mobilidade e a elasticidade imprescindíveis
à expansão do pensamento que, então, paulatinamente se dilata,
estabelecendo no mundo tribal todo um oceano de energia sutil, em que
as consciências encarnadas e desencarnadas se refletem, sem
dificuldade, umas às outras.
Valendo-se dessa instituição de permuta constante, as Inteligências
Divinas dosam os recursos da influência e da sugestão e convidam o
Espírito terrestre ao justo despertamento na responsabilidade com que
lhe cabe conduzir a própria jornada...
Pela compreensão progressiva entre as criaturas, por intermédio da
palavra que assegura o pronto intercâmbio, fundamenta-se no cérebro
o pensamento contínuo e, por semelhante maravilha da alma, as idéia-relâmpagos
ou as idéias fragmentos da crisálida de consciência, no
reino animal, se transformam em conceitos e inquirições, traduzindo
desejos e idéias de alentada substância íntima.
Começando a fixar o pensamento em si mesmo, fatigando-se para
concatená-lo e exprimi-lo, confiou-se o homem a novo tipo de repouso
- a meditação compulsória, ante os problemas da própria vida -,
passando a exteriorizar, inconscientemente, as próprias idéias e,
com isso, a desprender-se do carro denso de carne, desligando as
células de seu corpo espiritual das células físicas, durante o sono
comum, para receber, em atitude passiva ou de curta movimentação,
junto do próprio corpo adormecido, a visita dos Benfeitores
Espirituais que o instruem sobre as questões morais.
O continuísmo da idéia consciente acende a luz da memória sobre o
pedestal do automatismo.