Como
se verifica a alimentação dos
Espíritos desencarnados?
ANDRÉ
LUIZ: Encarecendo a importância da
respiração no sustento do corpo
espiritual, basta lembrar a hematose
do corpo físico, pela qual o
intercâmbio gasoso se efetua com
segurança, através dos alvéolos,
nos quais os gazes se transferem do
meio exterior para o meio interno, e
vice-versa, atendendo à
assimilação e desassimilação de
variadas atividades químicas no
campo orgânico.
O oxigênio que alcança os tecidos
entra em combinação com
determinados elementos, dando, em
resultado, o anidrido carbônico e a
água, com produção de energia
destinada à manutenção das
províncias somáticas.
Estudando a respiração celular,
encontraremos, junto aos próprios
arraiais da ciência humana,
problemas somente equacionáveis com
a ingerência automática do corpo
espiritual nas funções de veículo
físico, porque os fenômenos que lhe
são conseqüentes se graduam em
tantas fases diversas que o
fisiologista, sem noções do
Espírito, abordá-los-á sempre com
a perplexidade de quem atinge o
insolúvel.
Sabemos que para a subsistência do
corpo físico é imprescindível a
constante permuta de substâncias,
com incessante transformação de
energia.
Substância e energia se conjugam
para fornecer ao carro fisiológico
os recursos necessários ao
crescimento ou à reparação do
contínuo desgaste, produzindo a
força indispensável à existência
e os recursos reguladores do
metabolismo.
O alimento comum ao corpo carnal
experimenta, de início, a digestão,
pela qual os elementos coloidais
indifusíveis, convertendo-se ainda
as matérias complexas em matérias
mais simples, acessíveis à
absorção, a que se sucede a
circulação dos valores nutrientes,
suscetíveis de aproveitamento pelos
tecidos, seja em regime de
aplicação imediata, seja no de
reserva, destinando-se os resíduos
à expulsão natural.
A ciência terrena não desconhece
que o metabolismo guarda a tendência
de manter-se em estabilidade
constante, tanto assim que,
reconhecidamente, a despesa de oxigênio
e o teor de glicemia em jejum revelam
quase nenhuma diferença de dia para
dia.
É que o corpo espiritual, comandando
o corpo físico, sana
espontaneamente, quando harmonizado
em suas próprias funções, todos os
desequilíbrios acidentais nos
processos metabólicos, presidindo as
reações no campo nutritivo comum.
Não ignoramos, desse modo, que desde
a experiência carnal o homem se
alimenta muito mais pela
respiração, colhendo o alimento de
volume simplesmente como recurso
complementar de fornecimento
plástico e energético, para o setor
das calorias necessárias à massa
corpórea e à distribuição dos
potenciais de força nos variados
departamentos orgânicos.
Abandonando o envoltório físico na
desencarnação, se o psicossoma
está profundamente arraigado às
sensações terrestres, sobrevêm ao
Espírito a necessidade inquietante
de prosseguir atrelado ao mundo
biológico que lhe é familiar, e,
quando não a supera ao preço do
próprio esforço, no
auto-reajustamento, provoca os
fenômenos da simbiose psíquica, que
o levam a conviver, temporariamente,
no halo vital daqueles encarnados com
os quais se afine, quando não
promove a obsessão espetacular.
Na maioria das vezes, os
desencarnados em crise dessa ordem
são conduzidos pelos agentes da
Bondade Divina aos centros de
reeducação do Plano Espiritual,
onde encontram alimentação
semelhante à da Terra, porém
fluídica, recebendo-a em porções
adequadas até que adaptem aos
sistemas de sustentação da Esfera
Superior, em cujos círculos a tomada
de substância é tanto menor e tanto
mais leve quanto maior se evidencie o
enobrecimento da alma, porquanto,
pela difusão cutânea, o corpo
espiritual, através de sua extrema
porosidade, nutre-se de produtos
sutilizados ou sínteses
quimioeletromagnéticas, hauridas no
reservatório da Natureza e no
intercâmbio de raios vitalizantes e
reconstituintes do amor com que os
seres se sustentam entre si.
Essa alimentação psíquica, por
intermédio das projeções
magnéticas trocadas entre aqueles
que se amam, é muito mais importante
que o nutricionista do mundo possa
imaginar, de vez que, por ela, se
origina a ideal euforia orgânica e
mental da personalidade. Daí porque
toda a criatura tem necessidade de
amar e receber amor para que se lhe
mantenha o equilíbrio geral.
De qualquer modo, porém, o corpo
espiritual, com alguma provisão de
substância específica, ou
simplesmente sem ela, quando já
consiga valer-se apenas da difusão
cutânea para refazer seus potenciais
energéticos, conta com os processos
da assimilação e da
desassimilação dos recursos que lhe
são peculiares, não prescindindo do
trabalho de exsudação dos
resíduos, pela epiderme ou pelos
emunctórios normais,
compreendendo-se, no entanto, que
pela harmonia de nível, nas
operações nutritivas, e pela
essencialização dos elementos
absorvidos, não existem para o
veículo psicossomático determinados
excessos e inconveniências dos
sólidos e líquidos da excreta
comum.

("Evolução em Dois
Mundos", 2a. Parte, cap. I,
André Luiz/Chico Xavier/Waldo
Vieira, edição FEB)
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