Reconhecendo-se
que os crimes do aborto provocado criminosamente surgem, em esmagadora
maioria, nas classes mais responsáveis da comunidade terrestre, como
identificar o trabalho expiatório que lhes diz respeito, se passam
quase totalmente despercebidos da justiça humana?
ANDRÉ
LUIZ: Temos no Plano Terrestre cada povo com seu código penal
apropriado à evolução em que se encontra, mas, considerando o
universo em sua totalidade como o Reino Divino, vamos encontrar o Bem
do Criador para todas as criaturas, como Lei Básica, cujas transgressões
deliberadas são corrigidas no próprio infrator, com o objetivo
natural de conseguir-se, em cada círculo de trabalho no Campo Cósmico,
o máximo de equilíbrio com o respeito máximo aos direitos alheios,
dentro da mínima quota de pena.
Atendendo-se, no entanto, a que a Justiça Perfeita se eleva, indefectível,
sobre o Perfeito Amor, no hausto de Deus "em que nos movemos e
existimos", toda reparação, perante a Lei Básica a que nos
reportamos, se realiza em termos de vida eterna e não segundo a vida
fragmentária que conhecemos na encarnação humana, porquanto, uma
existência pode estar repleta de acertos e desacertos, méritos e deméritos
e a Misericórdia do Senhor preceitua, não que o delinqüente seja
flagelado, com extensão indiscriminada de dor expiatória, o que
seria volúpia de castigar nos tribunais do destino, invariavelmente
regidos pela Equidade Soberana, mas sim que o mal seja suprimido de
suas vítimas, com a possível redução de sofrimento.
Desse modo, segundo o princípio universal do Direito Cósmico e
expressar-se, claro, nos ensinamentos de Jesus que manda conferir
"a cada um de acordo com as próprias obras", arquivamos em
nós as raízes do mal que acalentamos para extirpá-las à custa do
esforço próprio, em companhia daqueles que se nos afinem à faixa de
culpa, com os quais, perante a Justiça Eterna, os nossos débitos
jazem associados.
À face de semelhante fundamentos, certa romagem na carne, entremeada
de créditos e dívidas, pode terminar com aparências de regularidade
irrepreensível para a alma que desencarna, sob o apreço dos que lhe
comungam a experiência, seguindo-se de outra em que essa mesma
criatura assuma a empreitada do resgate próprio, suportando nos
ombros as conseqüências das culpas contraídas diante de Deus e de si
mesma, afim de reabilitar-se ante a Harmonia Divina, caminhando,
assim, transitoriamente, ao lado de espíritos incursos em regeneração
da mesma espécie.
É dessa forma que a mulher e o homem, acumpliciados nas ocorrências
do aborto delituoso, mas principalmente a mulher, cujo grau de
responsabilidade nas faltas dessa natureza é muito maior, à frente
da vida que ela prometeu honrar com nobreza, na maternidade sublime, desajustam
as energias psicossomáticas, com mais penetrante desequilíbrio do
centro genésico, implantando nos tecidos da própria alma a
sementeira de males que frutescerão, mais tarde, em regime de produção
a tempo certo.
Isso ocorre não somente porque o remorso se lhes entranhe no ser, à
feição de víbora magnética, mas também porque assimilam,
inevitavelmente, as vibrações de angústia e desespero e, por vezes,
de revolta e vingança dos Espíritos que a Lei lhes reservara para
filhos do próprio sangue, na obra de restauração do destino.
No homem, o resultado dessas ações aparece, quase sempre, em existência
imediata àquela na qual se envolveu em compromissos desse jaez, na
forma de moléstias testiculares, disendocrinias diversas, distúrbios
mentais, com evidente obsessão por parte de forças invisíveis
emanadas de entidades retardatárias que ainda encontram dificuldade
para exculpar-lhes a deserção.
Nas mulheres, as derivações surgem extremamente mais graves. O
aborto provocado, sem necessidade terapêutica, revela-se
matematicamente seguido por choques traumáticos no corpo espiritual,
tantas vezes quantas se repetir o delito de lesa-maternidade,
mergulhando as mulheres que o perpetram em angústias indefiníveis,
além da morte, de vez que, por mais extensas se lhe façam as
gratificações e os obséquios do Espíritos Amigos e Benfeitores que
lhe recordam as qualidades elogiáveis, mais se sentem diminuídas
moralmente em si mesmas, com o centro genésico desordenado e infeliz,
assim como alguém indebitamente admitido num festim brilhante,
carregando uma chaga que a todo instante se denuncia.
Dessarte, ressurgem na vida física, externando gradativamente, na
tessitura celular de que se revestem, a disfunção que podemos nomear
como sendo a miopraxia do centro genésico atonizado, padecendo, logo
que reconduzidas ao curso da maternidade terrestre, as toxemias da
gestação. Dilapidado o equilíbrio do centro referido, as células
ciliadas, mucíparas e intercalares não dispõe da força precisa na
mucosa tubária para a condução do óvulo na trajetória
endossalpingeana, nem para alimentá-lo no impulso da migração por
deficiência hormonal do ovário, determinando não apenas os
fenômenos da prenhez ectópica ou localização heterotópica do ovo,
mas também certos síndromes hemorrágicos de suma importância,
decorrentes da nidação do ovo fora do endométrio ortotópico, ainda
mesmo quando este já esteja acomodado na concha uterina, trazendo
habitualmente os embaraços da placentação baixa ou a placenta
prévia hemorragípara que constituem, na parturição, verdadeiro
suplício para as mulheres portadoras do órgão germinal em
desajuste.
Enquadradas na arritmia do centro genésico, outras alterações
orgânicas aparecem, flagelando a vida feminina, , como sejam o
descolamento da placenta eutópica, por hiperatividade histolítica da
vilosidade corial; a hipocinesia uterina, favorecendo a germicultura
do estreptococo ou do genococo, depois das crises endometríticas
puerperais, a salpingite tuberculosa, a degeneração cística do
cório; a salpigooforite, em que o edema e o exsudato fibrinosos
provocam a aderência das pregas da mucosa tubária, preparando campo
propício às grandes inflamações anexiais, em que o ovário e a
trompa experimentam a formação de tumores purulentos que os
identificam no mesmo processo de desagregação; os síndromes
circulatórios da gravidez aparentemente normal, quando a mulher, no
pretérito, viciou também o centro cardíaco, em conseqüência do
aborto calculado e seguido por disritmia das forças psicossomáticas
que regulam o eixo elétrico do coração, ressentindo-se, como
resultado, na nova encarnação e em pleno surto de gravidez, da
miopraxia do aparelho cardiovascular, com aumento da carga plasmática
na corrente sanguínea, por deficiência no orçamento hormonal, daí
resultando graves problemas da cardiopatia conseqüente.
Temos ainda a considerar que a mulher sintonizada com os deveres da
maternidade na primeira ou, às vezes, até na segunda gestação,
quando descamba para o aborto criminoso, na geração dos filhos
posteriores, inocula, automaticamente no centro genésico e no centro
esplênico do corpo espiritual as causas sutis de desequilíbrio
recôndito, a se lhe evidenciarem na existência próxima pela vasta
acumulação do antígeno que lhe imporá as divergências sanguíneas
com que asfixia, gradativamente, através da hemólise, o rebento de
amor que alberga carinhosamente no próprio seio, a partir da segunda
ou terceira gestação, porque as enfermidades do corpo humano, como
reflexos das depressões profundas da alma, ocorrem dentro de justos
períodos etários.
Além dos sintomas que abordamos em sintética digressão na
etiopatogenia das moléstias do órgão genital da mulher,
surpreenderemos largo capítulo a ponderar no campo nervoso, à face
da hiperexitação do centro cerebral, com inquietantes modificações
da personalidade, a raiarem, muitas vezes, no martirológico da
obsessão, devendo-se ainda salientar o caráter doloroso dos efeitos
espirituais do aborto criminoso, para os ginecologistas e obstetras
delinqüentes.
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Para
melhorar a própria situação, que deve fazer a mulher que se
reconhece, na atualidade, com dívidas no aborto provocado,
antecipando-se, desde agora, no trabalho de sua própria melhoria
moral, antes que a próxima existência lhe imponha as aflições
regenerativas? |
ANDRÉ LUIZ: Sabemos que é possível renovar o destino todos os dias.
Quem ontem abandonou os próprios filhos pode hoje afeiçoar-se aos
filhos alheios, necessitados de carinho e abnegação.
O próprio Evangelho do Senhor, na palavra do Apóstolo Pedro (I
Pedro, 4:8),
adverte-nos quanto à necessidade de cultivarmos ardente carinho uns
para com os outros, porque a caridade cobre a multidão de nossos
males.

(Do
livro Evolução em Dois Mundos, II Parte, cap. XIV,
André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, edição FEB)
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exclusiva para o Site Espírita André Luiz:
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